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Boric oferece Chile para sediar diálogo de paz entre governo colombiano e última guerrilha do país

Vice-presidente eleita da Colômbia, Francia Márquez, revela oferta do presidente chileno em meio à sua turnê sul-americana

Porto Velho, RO - A vice-presidente eleita da Colômbia, Francia Márquez, anunciou, em visita a Santiago, no Chile, que o presidente chileno, Gabriel Boric, ofereceu seu país como sede de um possível diálogo de paz entre o governo colombiano e o Exército de Libertação Nacional (ELN), a última guerrilha em atividade na Colômbia após a desmobilização das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em 2017.

O governo chileno, que enfrenta um violento conflito indígena em La Araucanía, no Sul do país, faz a oferta quatro meses depois de assumir e poucas semanas antes do plebiscito sobre uma nova Constituição, em 4 de setembro, ou seja, em um momento político difícil e crucial. Já Márquez e o presidente eleito Gustavo Petro assumirão em 7 de agosto como o primeiro governo de esquerda do país, tendo como uma das prioridades a pacificação do país.

— Saudamos com grande alegria que hoje o presidente Boric expressou não apenas sua disposição de nos acompanhar nesta tarefa de alcançar a paz, mas também oferece sua casa, o Chile, como sede das negociações de paz entre o Estado colombiano e o ELN — disse Márquez, que se reuniu mais cedo com Boric e parte de seu Gabinete.

O anúncio foi feito por Márquez na noite de quinta-feira, durante uma conferência na Universidade do Chile, a universidade pública mais importante do país, onde a vice-presidente eleita se reuniu com organizações feministas e antirracistas chilenas e colombianas.

Márquez, que na Colômbia se notabilizou como ativista socioambiental, iniciou na terça-feira uma viagem pela região, tendo como primeiro destino São Paulo, onde se reuniu com o ex-presidente e candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva. A viagem incluiu ainda Argentina e Bolívia.

— Que a paz para a Colômbia seja uma paz completa e que cortemos o fluxo de violência que faz com que nosso povo tenha que fugir dos territórios, de sua casa.

Desde que Gustavo Petro venceu as eleições, em 19 de julho, o ELN reiterou sua disposição de retomar as negociações de paz iniciadas pelo ex-presidente Juan Manuel Santos em 2017, em Quito, e depois em Havana, Cuba. Com a mudança de governo, em 2018, no entanto, as negociações foram suspensas devido à exigência do presidente Iván Duque de que a guerrilha libertasse previamente todos os reféns e expulsasse seus membros relacionados ao tráfico de drogas, mineração ilegal, ataques a infraestrutura de eletricidade e petróleo, entre outros.

Mais tarde, após um ataque do ELN contra a escola de cadetes da Polícia de Bogotá, em janeiro de 2019, que deixou 22 mortos e mais de 60 feridos, o governo paralisou definitivamente qualquer possibilidade de diálogo com a guerrilha.

O presidente eleito afirmou em várias ocasiões na campanha que estaria disposto a retomar as conversas com o ELN, após as “lições aprendidas com o acordo com as Farc”, assinado em 2016. Em seu programa de governo, também foi incluída uma proposta para desmantelar pacificamente “os grupos sucessores do paramilitarismo e aqueles ligados ao narcotráfico” por meio da Justiça. No início do mês, Petro propôs oficialmente um cessar-fogo bilateral para retomar as negociações de paz com a guerrilha.

O chefe do ELN, Eliécer Herlinto Chamorro — aliás Antonio García — também afirmou, em um comunicado, que o grupo guerrilheiro está “disposto a retomar as negociações de paz com o novo governo para que seus resultados tragam paz com justiça social para toda a Colômbia".

Surgido em 1964 no auge da Revolução Cubana, o ELN opera hoje financiando-se, principalmente, com recursos oriundos do narcotráfico. A organização conta atualmente com cerca de 2.500 combatentes e com uma extensa rede de apoio em áreas urbanas, especialmente na fronteira com a Venezuela e o Pacífico.

Em sua apresentação na Universidade do Chile, Márquez também abordou a situação das mulheres em nível regional.

— A realidade é que tanto no Chile quanto na Colômbia, as mulheres continuam perdendo suas vidas, continuam sendo assassinadas. A realidade é que tanto no Chile quanto na Colômbia, as mulheres têm desigualdades trabalhistas. A realidade é que as mulheres continuam vivendo em condições de extrema pobreza, é que meninos e meninas continuam morrendo de fome — disse a vice-presidente.


Fonte: O Globo

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