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Palmeiras e Independiente Petrolero se enfrentam em duelo de mulheres presidentes



Empresária e política, Jenny Montaño mudou a história do clube boliviano

PORTO VELHO, RO - Quando a bola caiu nos pés do artilheiro Martín Prost, Jenny Montaño se ergueu. Era "agora ou nunca", relembra. Aos 52 minutos do segundo tempo, tratava-se do último lance da partida contra o Guabirá, fora de casa, no estádio Gilberto Parada.

O empate em 2 a 2 não lhe servia na última rodada do Campeonato Boliviano. O Independiente Petrolero precisava de mais um gol para ser campeão da elite do país pela primeira vez em sua história.

O chute do camisa 9 foi fraco, na direção do goleiro. Jenny chegou a murchar antes de ver o volante Juan Godoy completar a jogada com o joelho. Os torcedores visitantes explodiram. A empresária e política de 38 anos estava entre eles. Foi um instante inesquecível, afirma.

"Foi indescritível. Ninguém pensava que poderíamos ser campeões. Não é normal um time que saiu da segunda divisão brigar assim pelo título. Foi o momento de mostrar o que poderíamos conquistar como clube de futebol e como dirigentes", disse a presidente, que assumiu o comando da agremiação em dezembro de 2019.

Nesta terça-feira (12), o Independiente Petrolero faz um inédito jogo como visitante na Copa Libertadores. Enfrenta o Palmeiras, às 21h30, no Allianz Parque, com transmissão do SBT e da ESPN. 

O time nunca havia disputado a competição continental.

Será a primeira vez na história do torneio, em sua fase de grupos, que duas equipes presididas por mulheres se enfrentam. A mandatária do alviverde é a empresária Leila Pereira.

"Tem sido uma experiência incrível, mas não é novidade. Já havia ocupado outros cargos. É difícil porque sempre há questões financeiras. Mas sou apaixonada por este clube. Dá certo porque trabalhamos com organização. Fazemos o máximo com o mínimo", explica Jenny, que não dá grande importância ao fato de ser mulher no futebol. Acredita que isso será cada vez mais comum.

Antes de ser eleita, ela já havia sido tesoureira e secretária- geral do Independiente. Formada em bioquímica, é dona de uma farmácia e sócia em empresa de buffet. Foi eleita conselheira política, um cargo legislativo, de Sucre (500 km de La Paz) pela Comunidad Ciudadana, uma frente de partidos de esquerda.









Leila Pereira, 57, é a primeira presidente mulher da história do Palmeiras Karime Xavier/FolhapressMAIS

A ligação com o Independiente Petrolero é muito anterior aos cargos como dirigente. Seu pai, Abelardo, levava-a pela mão para ver partidas do time quando ela era criança. Jenny é casada com Manuel Grass, irmão de Juan Carlos Grass, jogador do clube nos anos 1990.

Quando ela assumiu a presidência, o Independiente estava na segunda divisão e havia 17 anos não chegava à elite. Conseguiu o acesso em 2020 e em sua primeira temporada na liga principal do país foi campeão com toques dramáticos.

O título foi tão inesperado que pegou até a FBF (Federação Boliviana de Futebol) de calças curtas. Não havia nenhum cartola da entidade para entregar o troféu e as medalhas ao vencedor. A responsabilidade ficou para o Rubén Soares, motorista da FBF, e Doriam Montero, fiscal da partida.

"A classificação para a Libertadores nos dá uma tranquilidade econômica maior do que em anos anteriores. Não podemos brigar com outros clubes nos salários, mas estamos conseguindo equilibrar o clube", analisa a presidente.

Houve a preocupação em não contratar atletas caros antes do início da competição internacional. O principal reforço foi o argentino (e ex-Palmeiras) Cristaldo, autor do gol no empate em 1 a 1 com o Emelec na estreia.

Pela participação na fase de grupos, a Conmebol vai pagar US$ 3 milhões (R$ 14 milhões). A folha salarial do Independiente está em US$ 85 mil mensais (R$ 399 mil). Segundo Jenny, times como The Strongest e Always Ready gastam isso com apenas um jogador. O orçamento do Palmeiras é de cerca de R$ 30 milhões.

"Tudo é um processo para chegar o mais longe que este clube puder. Não temos pressa. Precisamos aumentar a arrecadação porque o que recebemos de patrocínio de direitos de televisionamento não é suficiente", diz a cartola.

Não que ela tenha sempre muita paciência. Os dirigentes do futebol boliviano já perceberam quanto Jenny Montaño pode ser explosiva. Após um gol anulado do Independiente contra o Always Ready na primeira rodada do torneio Apertura neste ano, ela atacou o árbitro Ivo Méndez e toda a estrutura da liga local.

"Vamos pedir que ele não apite mais nossas partidas. Sabemos que é torcedor do Always Ready. Vamos recusar todos os árbitros bolivianos porque estão sendo manipulados. Se temos que pagar muito dinheiro para trazer árbitros do exterior, vamos fazer", enfureceu-se.

No dia seguinte, as contas do Independiente nas redes sociais publicaram uma retratação de Jenny Montaño.

Duelo de presidentes mulheres pela Libertadores acontece nesta terça (12) - @Jenny Montaño Daza no Facebook e Karime Xavier/Folhapress

Fonte: Folha de São Paulo

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