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Material oferecido como urânio e que teria ligação com PCC é uma rocha comum



Polícia apreendeu material com 2 suspeitos em Guarulhos, na Grande São Paulo

PORTO VELHO, RO - Laudos técnicos constatam que um material ofertado por dois homens como urânio, em Guarulhos, na Grande São Paulo, não passa de uma rocha comum. Os resultados das análises feitas pelo Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) foram divulgados nesta quarta-feira (13).

Um quilo do material foi apreendido por investigadores do 3º DP de Guarulhos, no último dia 8, após receberem uma denúncia de que suspeitos estariam vendendo urânio.

Um homem, que disse trabalhar na área de metais e minerais, procurou a delegacia e afirmou ter recebido uma proposta para comprar, ilegalmente, "material radioativo".

O autor da denúncia acrescentou que os suspeitos propuseram, por meio de mensagens de texto, vender o material "utilizado para dispositivos bélicos", de acordo com registros policiais, por US$ 90 mil o quilo (cerca de R$ 422 mil).

Policiais foram até uma casa no bairro Vila Barros e prenderam dois suspeitos em flagrante. Com eles, havia um quilo do material oferecido como amostra de urânio.

Os presos teriam afirmado dispor de duas toneladas do suposto insumo radioativo e que agiram a mando da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). A defesa deles não foi localizada.

Questionado sobre o resultado dos laudos, o 3º DP de Guarulhos afirmou, por meio de Secretaria de Estado da Segurança Pública, que os documentos do Ipen serão incluídos no inquérito, para serem posteriormente encaminhados à Justiça.

De acordo com as análises do instituto, o material apreendido pela polícia "não indica a presença de urânio", não oferecendo "qualquer ameaça à saúde".

A afirmação foi feita com base em um laudo de análise química semiquantitativa e de análise radiométrica.

O material enviado pela polícia ao Ipen foi triturado manualmente e examinado sem nenhum outro tipo de preparação. Resultados preliminares, nesta terça-feira (12), já indicavam ausência de radioatividade nas pedras.

O minério apreendido contém compostos de silício, alumínio, potássio, cálcio e ferro, "comuns em rochas e solo".

Caso os resultados tivessem sido diferentes, constatando que o material eventualmente fosse urânio, as chances de que o crime organizado o utilizasse para produzir explosivos seriam remotas, de acordo com o especialista em compostos químicos Luís Brudna Hölzle, professor da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), do Rio Grande do Sul.

Ele explicou à Folha, na segunda (11), que o processo demanda muito conhecimento técnico, equipamentos específicos, além de quantidade elevada de insumo.


Fonte: Folha de São Paulo

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