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Lula justifica silêncio sobre indulto e diz que Bolsonaro foi estúpido



Petista afirma ainda que 'não é normal' embate entre o presidente e o Supremo Tribunal Federal

PORTO VELHO, RO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justificou o seu silêncio diante do indulto concedido por Jair Bolsonaro (PL) na última quinta-feira (21) ao deputado bolsonarista Daniel Silveira, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e afirmou que o presidente foi "estúpido" e "medíocre".

"O Bolsonaro foi estúpido quando fez essa decisão que ele tomou, essa graça que ele fez. Ele acha que é uma graça mesmo, não no sentido jurídico, mas do ponto de vista de sorrir. Ele foi medíocre", afirmou Lula em encontro com jornalistas nesta terça-feira (26).

"Essa é uma discussão que eu nem comentei nada, porque tudo o que ele queria, aconteceu. Ele abafou o Carnaval. Fez isso na quinta-feira e isso ficou no noticiário na sexta, no sábado, no domingo e na segunda. Tudo o que ele quer é que ele permaneça no noticiário, o que aconteceu", continuou o petista.

"Ele tem o direito de fazer o indulto. A Suprema Corte tinha condenado o cidadão a nove anos de cadeia porque ele desrespeitou a instituição, ofendeu, xingou. Não sei se está certo também porque não sou advogado. Mas se ele desrespeitou e fez o indulto quem é que vai julgar? A própria Suprema Corte. E o que aconteceu? Ele transformou isso num fato político", disse ainda.

​Como a Folha mostrou, o silêncio de Lula sobre o assunto parte da avaliação do próprio ex-presidente e de aliados de que é preciso não cair na agenda imposta pelo presidente.

Ainda de acordo com eles, essa seria uma armadilha de Bolsonaro na tentativa de ditar a pauta das eleições presidenciais de outubro, desviando-se de problemas como a fome, a inflação, o preço dos combustíveis e o desemprego no Brasil.

Na quarta (20), Daniel Silveira foi condenado pelo STF a 8 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado, por ataques aos ministros da corte.

Lula também afirmou que "não é normal" o embate entre Bolsonaro e o STF. "Você acha que é normal a briga do presidente e a Suprema Corte? Não é normal, algo está errado. A Suprema Corte julga e o presidente governa, cada um cumpra com a sua função."

No encontro nesta terça, o petista voltou a atacar o teto de gastos. "Nós não aceitamos a lei do teto de gastos, até porque ela foi feita para garantir que os banqueiros tivessem o deles no final do ano. Queremos que o povo tenha o seu todo dia, todo mês e todo ano. Fazer política social não é gasto, é investimento. E é isso que vamos fazer nesse país", disse.

Participam do encontro jornalistas da Agência de Notícias Alma Preta, do Brasil de Fato, da TVT, do Viomundo e do Tijolaço, além de youtubers. A conversa durou mais de três horas.

Lula também abordou a revisão da reforma trabalhista e a necessidade de adaptar a legislação à realidade atual. "Houve uma certa rebelião de uma parte da sociedade brasileira representada por um grupo de empresários que, quando falamos em rever a questão da reforma trabalhista, ficaram assustados. Temos que criar uma reforma trabalhista que seja adaptada à atual realidade do mundo de trabalho."

No começo do mês, a federação partidária que reunirá PT, PC do B e PV incluiu a defesa da revogação da reforma e do teto de gastos em sua carta-programa, embora o próprio ex-presidente reconheça entraves para a iniciativa.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, Lula acenou aos evangélicos, afirmou que eles têm uma "força extraordinária" e que Bolsonaro "não acredita em Deus". "Não temos que conversar com pastor que fala, fala e fala em nome de Deus cometendo pecados todos os dias. Temos que conversar com o povo, com o homem e com a mulher evangélica."

Ao final da conversa, o ex-presidente disse ainda que participará de uma reunião com governadores para tratar da questão de segurança pública para elaborar propostas para essa área.

"Queremos saber qual é a experiência bem-sucedida de segurança, porque ela sempre é um problema que vem à tona (...) É preciso juntar as várias pessoas com as várias experiências para saber se a gente resolve. Eu não acho que a solução do problema da segurança está em mais polícia."


Fonte: Folha de São Paulo

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