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Baby celebra volta aos palcos com Pepeu: 'A gente conseguiu que a nossa história nunca virasse um barraco'




Para comemorar chegada de ambos aos 70 anos de idade, artistas retomam a vida familiar e a parceria musical em show no qual misturam os seus muitos hits das carreiras solo


PORTO VELHO, RO - “Ser amigo é o básico de tudo”, diz a cantora Baby do Brasil, que faz 70 anos no dia 18 de julho, ao lado do ex-marido e pai dos seus seis filhos, o guitarrista e cantor Pepeu Gomes, que, por sua vez, completou 70 primaveras em 7 de fevereiro.

Esta sexta-feira, eles lançam uma regravação de “Masculino e feminino” (hit de Pepeu de 1983, composto por ele, pelo irmão Didi e por Baby) e no sábado sobem ao Morro da Urca para o projeto Tim Music Noites Cariocas, no qual farão o show de estreia da turnê “Baby do Brasil & Pepeu Gomes a 140 graus”. É uma celebração não apenas da soma das idades redondas, mas da volta de uma parceria interrompida há mais de 30 anos, quando se separaram depois de uma década cheia de filhos e de hits nas rádios.

— A gente conseguiu que a nossa história nunca virasse um barraco e sempre esperou pelo momento de essa amizade acontecer. Hoje, a minha amnésia é de tudo que não presta. Qualquer coisa que possamos ter cometido um contra o outro nós já nos perdoamos — diz Baby, que começou a reaproximação com Pepeu em show no Rock in Rio de 2015 que fizeram juntos por obra de um dos filhos do casal, Pedro Baby.

Já para Pepeu, ele e Baby foram amadurecendo e hoje são “pessoas que se entendem”.

— Há a consciência de que temos seis filhos e de que eles esperam algo da gente, pelo menos na parte de trabalho, que sustenta nossa família. Essa consciência venceu essa nossa teimosia — conta Pepeu, logo provocando a pergunta de Baby sobre qual era a tal da “teimosia” que os separou por tanto tempo. — A teimosia maior era a de que você queria subir o tom toda música!

Essa “teimosia” da cantora, por sinal, continuou solta nos ensaios para “Baby do Brasil & Pepeu Gomes a 140 graus”, no qual eles são acompanhados, entre outros, pelos irmãos de Pepeu (o baixista Didi e o baterista Jorginho) e seu enteado (o guitarrista Filipe Pascual).

— Antes de mais nada, sou muito fã do Pepeu, conheço ele desde os 17 anos e sei muito do talento dele. A gente sempre teve uma interação muito forte no palco — expõe Baby. — Minha loucura é muito hendrixiana e janisjopliana, e quem me apresentou a Jimi Hendrix e Janis Joplin foi o Pepeu. Hoje estou muito mais solta do que era, e ele com muito mais ideias revolucionárias. Sempre fico ali esperando aquela explosão que é bem do Pepeu.

O show que o ex-casal montou (e que será gravado no saábdo, dia 9, para virar álbum ao vivo, lançado pelo selo Noites Cariocas Discos) terá 22 músicas, pinçadas entre os muitos hits das carreiras solo dos dois, as inevitáveis dos Novos Baianos e algumas homenagens.

— Uma coisa que quase ninguém sabe é que, tanto nas músicas que eu quanto nas que o Pepeu gravou, as letras são minhas. Muita gente não sabia que fui eu que escrevi os versos de “Masculino e feminino”, “Um raio laser” e “Deusa do amor”. E para a turnê vêm aí duas músicas inéditas nossas. A gente está curtindo muito o fato de ainda ter essa sintonia — avisa Baby.

A cantora advoga a tese de que “não se faz mais 70 anos como antigamente”.

— Respeite ao menos os meus cabelos coloridos! — reivindica ela, que promete shows com o seu pique “além do natural, ainda a ser estudado”. — Outro dia me dei conta de que ia fazer 70. Quanto tempo demorou essa pandemia? Porque quando entrei nela eu tinha 25.

Pepeu encara como “um momento de recuperação, em vários sentidos”. Por sugestão de Baby, ele tem feito ozonioterapia e tomado vitaminas.

— Com o tempo, fiquei um pouco mais lento. Ontem foi o primeiro dia em que eu ensaiei em pé o show inteiro — admite. — Se quisesse, a gente já poderia ter se aposentado, mas a gente vai continuar enquanto tiver gás.

Família estendida

Hoje, Baby do Brasil e Pepeu Gomes vivem em paz em uma espécie de família estendida: os seis filhos que tiveram (Zabelê, Sarah Sheeva, Nãna Shara, Kriptus Gomes, Pedro Baby e Krishna Baby), mais Simone (mulher de Pepeu), Isabela (filha dos dois) e Felipe (filho de Simone, que o guitarrista ajudou a criar desde que o rapaz era bebê).

— Simone é da tribo do cabelo colorido! Dormimos um na casa do outro, oramos juntos... e todos os irmãos se amam demais. Para mim, a gente é um exemplo para os casais — acredita Baby. — Porque por mais tempo que a relação demore a se estabelecer, precisa ter esse foco: os filhos precisam ver o exemplo dos pais, esse é o legado que eles vão levar. A gente vai ajudar demais uma geração na qual praticamente todo mundo se separou. Acho que a geração de agora está amando estar casada, está amando ver seus filhos... É um ato de amor muito grande de todos nós, precisamos dar aos nossos filhos o conforto de saber que todos nos amamos.

O primeiro fruto fonográfico do reencontro de Baby e Pepeu foi a regravação de “Masculino e feminino” (lançada hoje pelo selo MSK, da Musickeria). A música foi um grande hit de Pepeu e faixa-título de seu LP de 1983. Um sucesso tão grande que rendeu, na época, até mesmo um especial de TV da Globo com o mesmo título.

— Fiz essa música para eu mesma cantar. Mas aí vi que Pepeu era um cara que usava legging e calça justa, com uma cabeça supermoderna, um homem totalmente amoroso, feminino, criança também. Achei que se ele cantasse a letra ia impactar os homens, as mulheres e toda a sociedade que não estava acostumada àquilo — recorda-se Baby. — A gente fazia assim: eram tantas letras para um disco de um, tantas para o do outro. E o que aconteceu é que, com o “Masculino de feminino”, a carreira dele deslanchou.

Baby do Brasil e Pepeu Gomes, em 1980, no Festival MPB 80 Foto: Anibal Philot / Agência O Globo

Foi o grande momento para o casal, que iniciara carreiras solo logo após o fim dos Novos Baianos. Pepeu tinha investido em “Geração de som” (1978), LP instrumental, no qual privilegiou seus dotes como guitarrista. Baby dizia que ele também deveria cantar (“Pepeu tem falsete, tem vibrato, tem umas coisas de black music e é afinadíssimo”). E o guitarrista arriscou vocais no LP seguinte, “Na Terra a mais de mil” (1979).

— No início, ele ia lá fazendo a abertura dos meus shows, até que chegou uma hora em que o pessoal começou a comprar o show dele e o meu separadamente — conta uma orgulhosa Baby, que agora tem a oportunidade de misturar em show os seus hits ( “Menino do Rio”, “Telúrica”, “Todo dia era dia de índio”) com os do parceiro (“Um raio laser”, “Eu também quero beijar”, “Fazendo música, jogando bola”).

Fonte: O Globo

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