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Morre o primeiro paciente que recebeu transplante de coração de porco

Segundo o hospital que realizou o procedimento, o homem recebeu cuidados paliativos compassivos e conseguiu se comunicar com a família durante os últimos momentos de vida


PORTO VELHO, RO - A primeira pessoa a receber um transplante de coração de porco morreu dois meses após o procedimento histórico, informou nesta quarta-feira (9) o hospital que realizou a cirurgia.

David Bennett, de 57 anos, que morreu em 8 de março, recebeu seu transplante em 7 de janeiro, disse o Sistema Médico da Universidade de Maryland em comunicado.

"Sua condição começou a se deteriorar há vários dias. Depois que ficou claro que ele não se recuperaria, ele recebeu cuidados paliativos compassivos. Ele conseguiu se comunicar com sua família durante suas últimas horas", disse o comunicado.

Técnica inovadora

O porco doador pertencia a um rebanho que passou por um procedimento de modificação genética para remover um gene que produz um açúcar que teria desencadeado forte resposta imune de um ser humano e causado a rejeição do órgão.

A modificação foi realizada pela empresa de biotecnologia Revivicor, que também forneceu o porco usado em um transplante de rim inovador em um paciente com morte cerebral, em Nova York, em outubro.

O órgão doado permaneceu em uma máquina para ser preservado antes da cirurgia, e a equipe também usou um novo medicamento junto com outras substâncias convencionais para suprimir o sistema imunológico e impedir a rejeição do órgão.

Trata-se de um composto experimental fabricado pela Kiniksa Pharmaceuticals.

Cerca de 110 mil americanos estão atualmente à espera de um transplante de órgão, e mais de 6.000 pacientes morrem a cada ano antes de recebê-lo, de acordo com dados oficiais.

Para atender à demanda, os médicos há muito se interessam pelo chamado xenotransplante, ou doação de órgãos entre espécies, com experimentos que remontam ao século 17.

As primeiras pesquisas se concentraram na extração de órgãos de primatas. Por exemplo, um coração de babuíno foi transplantado em um recém-nascido conhecido como Baby Fae em 1984, mas ele sobreviveu apenas 20 dias.

Hoje, as válvulas cardíacas de porco são amplamente utilizadas em humanos, e a pele desse animal é enxertada em pessoas que sofreram queimaduras.

Os porcos são doadores ideais devido ao seu tamanho, crescimento rápido, ninhadas grandes e ao fato de estarem prontamente disponíveis, sendo criados para alimentação.


Fonte: R7

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